O termo resiliência é oriundo do latim resiliens, quer dizer – em seu significado original, na Física, –o nível de resistência que um material pode sofrer frente às pressões sofridas e sua capacidade de retornar ao estado original sem a ocorrência de dano ou ruptura. A Psicologia pegou emprestada a palavra, criando o termo resiliência psicológica para indicar como as pessoas respondem às frustrações diárias, em todos os níveis, e sua capacidade de recuperação emocional.
Traduzindo de maneira bem simples, quando mais resiliente você for, mais fortemente estará preparado para lidar com as adversidades da vida. O termo possui diversos significados para a área da psicologia, a resiliência é a capacidade de uma pessoa lidar com seus próprios problemas, vencer obstáculos e não ceder à pressão, seja qual for a situação.
Qual a sua importância?
Todos nós temos problemas, não existe um ser milagroso na face da terra que não tenha tido uma adversidade na sua vida e aprender a lidar com essas adversidades é algo que todos querem, porém, parece que alguns "nascem" com isso. Na verdade, não acredito que a resiliência seja um traço genético, e sim, um traço acrescentado a personalidade da pessoal no decorrer de sua vida. Ou seja, seria o resultado de um processo de aprendizagens de vida. Portanto, você, assim como eu, está apto para desenvolvê-la.
"Desde a infância, pessoas que ativamente se esquivam das dificuldades ou que são isoladas dos problemas cotidianos (como fazem alguns pais para “poupar” a criança), deixam de “treinar” suas habilidades resilientes. Desta forma, quando crescem, tais indivíduos não conseguem apresentar repertórios adequados de enfrentamento aos problemas e, desta forma, perdem a habilidade de atravessar as situações de crise de maneira construtiva. Sua falta de habilidade faz com que reajam em excesso (aumentando assim o tamanho das adversidades) ou, no polo oposto, respondam de maneira passiva, ou seja, permanecem anestesiados frente aos dilemas, perpetuando-os." - Dr Cristiano Nabuco
Um dos princípios, ainda diz que em todas às situações adversas que passamos podemos compreendê-las de duas formas:
A primeira diz respeito a uma interpretação mais negativa dos fatos, ou seja, entendemos que coisas ruins que acontecem a nós estão fora de nosso raio de ação, pois não temos a menor responsabilidade a respeito de sua ocorrência. Nesta posição, como não temos controle pelo acontecido, não exibimos nenhuma atitude de mudança. E, assim, assumimos uma postura de vítima das circunstâncias da vida.
Uma segunda possibilidade diz respeito a uma interpretação mais ativa dos fatos, ou seja, podemos assumir que parte dos problemas e das dificuldades que vivemos dizem única e exclusivamente respeito a nossa forma de agir no mundo, e portanto, entendemos que possuímos alguma responsabilidade sobre o fato.
“Não importa o que fizeram conosco, mas sim o que fazemos com aquilo que fizeram de nós”
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Afinal, como se tornar uma pessoa resiliente?
Se você encara as mudanças e as adversidades como oportunidades, você já tem um bom começo. "É aceitar que a mudança é uma oportunidade de crescimento, ter a visão de que as adversidades enfrentadas trazem essa possibilidade". A autoconfiança¹ e a autoeficácia² são pontos que também contam para esse processo, além de está de bem com a vida: ter um bom humor, ser otimista, criar empatia e valores sociais e se socializar.
¹Autoconfiança: é a convicção que uma pessoa tem, de ser capaz de fazer ou realizar alguma coisa. Um comportamento relacionado à segurança que a pessoa tem para encarar as diversas situações que se apresentam. “É a pessoa se sentir confiante para enfrentar desafios”
²Autoeficácia: Refere-se à percepção que a pessoa tem da sua própria capacidade.“É acreditar na competência, se sentir capaz”. Muitas vezes a pessoa pode até não ter potencial alto de inteligência, mas se tiver autoeficácia, vai se esforçar além do normal o que acabará compensando eventuais deficiências.
Finalmente, o tripé da resiliência se apoia na capacidade de compreender o que sentimos. Pode parecer algo mais simples, entretanto, não é o que ocorre. Vivemos usualmente sem entrar em contato com nossas sensações subjetivas e isso pode nos confundir bastante. Estar atento aos nossos sentimentos é uma das maneiras mais simples de desenvolver nossa capacidade de enfrentamento emocional. "Entenda que estar em contato com nossas emoções nos faz sermos mais ágeis na busca daquilo que efetivamente nos faz bem, como também na evitação das situações que nos fazem mal. É a chamada inteligência emocional." Tal inteligência está diretamente ligada ao controle emocional, que permite a pessoa agir com mais calma e a não perder o foco. Quem tem autocontrole consegue expressar adequadamente sua emoções o que permite enfrentar melhor situações difíceis. Desenvolva um papel ativo em sua vida (não se sinta vítima de sua existência), elabore um grande projeto pessoal (caso ainda não o tenha) e finalmente entenda suas emoções (lidar com elas e saber controla-las é essencial para a evolução de sua resiliência.
Pesquisando um pouco sobre o assunto, eis que me deparo com a seguinte crônica de Clarice Lispector:
Quando a procura de um papel se torna inútil, pergunto-me: "se eu fosse eu, em que lugar eu o guardaria?” E complementa dizendo: “Quando eu acho o objeto perdido, fico tão absorvida com a pergunta ‘se eu fosse eu’, que eu começo a pensar, diria melhor, sentir”. E finaliza indagando: “leitor, se você fosse você mesmo, quem você seria e onde estaria?”. Conclui sua crônica dizendo: “É como se a mentira fosse lentamente movida do lugar onde se acomodara e temos então contato com a experiência real da vida.
Procure usar essa pergunta, pode parecer inútil, mas melhora sua vontade de manter o foco e correr atrás do seu objetivo. No mais, complemento esta parte dizendo: Não espere que os outros resolvam os problemas por você: pode ser difícil, mas dê um passo de cada vez e aguarde a passagem do tempo para que tudo volte ao normal. Lembre-se que os problemas têm um fim. Seja resiliente, encare-os. Dificilmente eles irão acompanhá-los para o resto da vida. Mas tais são como leões famintos, se você não conseguir doma-los, eles te perseguirão até o fim.
Finalizo meu texto com um questionamento: se você fosse você mesmo, como você agiria?
Abraços senhores.

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